- "Estamos no alvorecer de uma nova era e na linha de frente da mudança estão os contadores de estória transmídia", diz Mark Warshaw, da Flatworld Intertainment
O público não se satisfaz mais apenas em receber o conteúdo passivamente sentado no sofá de casa. Diante dos recentes avanços da mídia surgiu um cenário batizado pelo professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Henry Jenkins de Cultura da Convergência. Para Mark Warshaw, escritor, produtor e diretor da Flatworld Intertainment, esse movimento é o alvorecer de uma nova era: a da indústria do "intretenimento".
"Estamos no início de uma corrida do ouro na qual poderemos nos machucar ou nos beneficiar. As mudanças são de proporções sísmicas e na linha de frente desse processo estão os contadores de estória transmídia", aponta Warshaw, que desenvolveu e produziu a experiência online da bem-sucedida série de TV Heroes e que anteriormente trabalhou em seis temporadas de Smallville, para a qual produziu episódios online e para celulares.
Para Warshaw, essa nova indústria é formada por quatro inters: internet, que permite maior possibilidade de entrega de conteúdo; interação, que propicia maiores benefícios para o público; integração, que disponibiliza ferramentas customizadas para que os anunciantes coloquem suas mensagens nas estórias; e internacional, num planeta globalizado é possível atingir um público específico de forma eficaz.
"O componente-chave para a indústria é o fã. Ele tem o prazer intrínseco de participar da história e a interatividade cria um laço maior. A indústria precisa que as agências estejam prontas e saibam como vender o conteúdo, e estúdios e redes precisam de departamentos de vendas que entendam esses novos paradigmas", complementa.
Realidade no País
No debate promovido após a palestra, moderado por Daniel Chalfon, da MPM, profissionais brasileiros abordaram os desafios e as oportunidades das ações transmídia no País. Para Giovanni Rivetti, da New Content, os produtores brasileiros já estão abertos a essas novas possibilidades. "Um componente importante é que o consumidor brasileiro está se acostumando a interagir com o conteúdo. Um exemplo é o programa Fantástico que termina na TV e continua na internet", opina.
"Todos tem discurso comum de querer entrar nesse mercado. O grande entrave é gerar um dinheiro novo. Temos projetos, temos idéias e temos vontade. Falta encontrar o caminho. Precisamos é construir cases. Se fala muito e se faz pouco. Essa construção envolve todos, agências, anunciantes e produtoras", pontua Gil Ribeiro, da Mixer.
Para Denise Gomes, da Bossa Nova Films, a realidade do País é diferente porque as TVs sempre produziram seus próprios programas. "A indústria independente tem crescido mais por conta do fomento da Ancine e o surgimento de talentos do cinema do que pela vontade das TVs. O grande desafio do mercado de branded content é descobrir o modelo econômico e o processo", aponta.
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