
Quando as rosas são lúcidas e amam
quando as rosas se prendem nos poemas
quando as rosas sagram pelos dedos
há uma seiva azul de clorofila e medo
uma seiva que se esgota e se sacia
na insensatez que semeia a poesia
Na lucidez da rosas e dos caules
a essência que entorpece e purifica
as folhas leves destes versos de vida
esta voz única que se decepa
e duma mulher faz voz de poeta
E então toda a poesia é fragrância
e delas bebe a suavidade e a esperança
e como elas morre numa qualquer estação
se o poeta se amortalhar de silêncio
e se embebedar de suave solidão
Se amar é esta sintaxe que me veste
então eu serei a haste e o espinho
de toda a floração inerte - aquela que
nasce e morre e a mão não vê
Aquela que olhos não colhem, lábios não
cheiram beijos não bebem
doçura esta delicada da efémera pétala
que amanhã não será bela
E a poesia rega de dores cada palavra semeada
e a ilusão aduba de amor cada rima encadeada
e o amor arboriza um canteiro abandonado
sempre que a poesia brota do peito amado
Tudo o mais é o tempo que nos sopra
e por cada pétala nova há uma que esmorece
e esquecida se dobra pela haste
outra há que jubilante se renova e nasce
E por cada poema que podamos,
há um que grita no coração que amamos
nesse irrepetível milagre da lucidez das rosas
irrompendo frescas nas palavras que calamos
deSaraComAmor
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